DOCUMENTÁRIO • DOCUMENTARY

The Two Faces of Tomorrow

Patrick Hough
Neste hipnótico documentário-ficção, um investigador oculto descobre a influência duradoura das algas no nosso planeta, desde o passado profundo até ao futuro próximo. À medida que atravessam antigos banhos romanos infestados por algas tóxicas, laboratórios de ponta que desenvolvem biocombustíveis e uma instalação futurista de testes do Mars rover, eles começam a descobrir as relações voláteis entre o capitalismo e as algas, as algas e a Terra, a Terra e os humanos.
In this hypnotic documentary-fiction film, an unseen researcher uncovers the enduring influence of algae on our planet, from the deep past through the near future. As they traverse ancient Roman baths plagued by toxic algae blooms, cutting-edge laboratories developing biofuel, and a futuristic Mars rover testing facility, they begin to uncover the volatile relations between capitalism and algae, algae and the Earth, and the Earth and humans.
CONHECE O REALIZADOR • MEET THE DIRECTOR

Patrick Hough

O que te inspirou a seguir cinema? Como começou esta tua jornada?
Cresci no seio de uma família muito selvagem e caótica, mas artística, numa pequena cidade da Irlanda. Sou um de oito filhos e morávamos por cima de um tradicional pub irlandês administrado pelos meus pais, o que me expôs a uma grande variedade de personagens, músicas e histórias desde muito jovem. A minha mãe, que também é artista, alimentou em nós a criatividade. A minha irmã mais velha estudou arte e meu irmão decidiu ser ator. Quando compramos a nossa primeira câmara de filmar, os meus irmãos mais velhos faziam as suas próprias curtas metragens – muitas vezes de terror, mas também filmes baseados em eventos mundiais como o trágico atentado de Oklahoma City em 1995. Acabei por seguir os passos da minha mãe e irmã e inscrevi-me para estudar artes plásticas e cinema. Embora no final tenha optado por estudar arte, a minha prática artística ao longo do curso estava muito enraizada no cinema e na fotografia.
 
Como descreves a premissa da tua curta-metragem? Qual foi a inspiração para a história?
‘The Two Faces of Tomorrow’ é um documentário experimental sobre algas e como elas moldaram toda a vida no planeta, desde o passado remoto, passando pelo presente e até um futuro próximo. Surgiu da pesquisa e da leitura que tinha feito para o meu filme anterior, ‘The Black River of Herself’, que explorou zonas húmidas irlandesas e como essas funcionam como arquivos de matéria arqueológica, ecológica e geológica. Durante essa pesquisa, deparei-me com um pequeno ensaio de Dorian Sagan que se tornou o ponto de partida para este filme. O ensaio foi a conclusão que Sagan escreveu para a secção ‘Monstros’ do livro Arts of Living on a Damaged Planet, que fala sobre o ‘Cyanoscene’, um período na história da Terra há 1,5 mil milhões de anos, quando formas de vida ancestrais de algas sofreram mutações e causaram o primeiro evento de extinção planetária. Imaginei o planeta a afogar-se em espuma de algas verdes, e o filme partiu daí.
 
Qual é a mensagem que esperas que o público retenha depois de assistir ao teu filme?
Quero que o público pense sobre como as nossas vidas estão emaranhadas com múltiplas espécies, com uma profusão de formas de vida que não são humanas, como parte de formas de vida que levaram milhões de anos a formar-se. Estas relações estão agora a desfazer-se num piscar de olhos, como resultado direto da atividade humana. E não falo de qualquer atividade, mas as de uma indústria de combustíveis fósseis que faz lobby ativamente contra as mudanças de que tanto necessitamos. Para sobreviver, temos de desmantelar as relações de poder entre a natureza, o poder e o capital, se quisermos evitar simplesmente trocar a exploração e a mercantilização da indústria dos combustíveis fósseis por uma versão mais verde.
 
Porque achas que a ciência está a receber mais atenção dos cineastas e festivais de cinema atualmente?
Penso que fala do momento de crise sem precedentes em que nos encontramos, especialmente em torno das alterações climáticas, das pandemias e dos dilemas éticos relacionados com a tecnologia. À medida que enfrentamos também a grave inação política em torno da crise climática, mais profissionais da cultura estão a tornar-se conscientes da necessidade urgente de uma propaganda mais positiva para combater o pântano da desinformação corporativa, da conspiração na Internet e do anti-intelectualismo político. Os cineastas estão a utilizar as suas plataformas para aumentar a sensibilização sobre estes temas, contribuindo para discussões públicas informadas.
 
O que se segue para o ‘The Two Faces of Tomorrow’? Tens algum projeto em mãos?
‘The Two Faces of Tomorrow’ terá a sua primeira exibição em Londres em dezembro. É bom trazê-lo para casa depois de alguns anos em turné por festivais internacionais. Também estou prestes a estrear um novo filme intitulado ‘Whale Fall’ no Cork International Film Festival. É um curta-metragem de ficção dramática sobre uma baleia jubarte que aparece no meio de uma turfa irlandesa e as duas mulheres que a descobrem e tentam desvendar o mistério de como e porquê ela apareceu ali.
What inspired you to pursue filmmaking? How did your journey begin?
I grew up in a very wild and chaotic, yet artistic, household in a small town in Ireland. I’m one of eight children, and we lived above a traditional Irish pub run by my parents, exposing me to a variety of characters, music, and stories from a young age. My mother, who is also an artist, nurtured a lot of creativity in us. My older sister went on to study art, and my brother pursued acting. When we bought our first camcorder, my older siblings would make their own short films—often horror, but also based on world events filtered down through the news, such as the tragic Oklahoma City bombing of 1995. Eventually, I followed in the footsteps of my mother and sister and applied to study both fine art and filmmaking. While I chose to study art in the end, my artistic practice throughout school was very much rooted in film and photography.
 
How do you describe the premise of your short film? What was the inspiration behind the story?
The Two Faces of Tomorrow is an experimental documentary about algae and how they have shaped all life on the planet, from the deep past through the present and into the near future. It emerged from research and reading I had been doing for my previous film, The Black River of Herself, which explored the spaces of Irish peat bogs and how they are like archives of archaeological, ecological, and geological matter. During this research, I came across a short essay by Dorian Sagan that became the starting point for the film. The essay was the coda Sagan wrote for the ‘Monsters’ section of the book Arts of Living on a Damaged Planet, which talks about the ‘Cyanoscene,’ a period in Earth’s history 1.5 billion years ago when life forms ancestral to algae mutated and caused the first planetary extinction event. I imagined the planet drowning in green algal scum, and the film took flight from there.
 
What is the takeaway you hope audiences leave with after watching your film?
I want audiences to think about how our lives are entangled with multiple species, with a riot of other-than-human life as part of living arrangements that took millions of years to form. These relationships are now unravelling in the blink of an eye as a direct result of human activity. And not just any activity, but those of a fossil fuel industry that actively lobbies against the changes we so badly need. To survive, we must dismantle the power relationships between nature, power, and capital if we are to avoid simply swapping the exploitation and commodification of the fossil fuel industry for a greener version.
 
Why do you think science is getting more attention in films and film festivals these days?
I think it speaks to the unprecedented moment of crisis we find ourselves in, particularly around climate change, pandemics, and ethical dilemmas related to technology. As we also face the grave political inaction surrounding the climate crisis, more cultural practitioners are becoming aware of the urgent need for more positive propaganda to combat the morass of corporate disinformation, internet conspiracy, and political anti-intellectualism. Filmmakers are using their platform to raise awareness about these topics, contributing to informed public discussions.
 
What’s next for The Two Faces of Tomorrow? Do you have any projects in the works?
The Two Faces of Tomorrow will have its first screening in London this December. It’s nice to bring it home after a couple of years of touring international festivals. I’m also about to premiere a new film titled ‘Whale Fall’ at the Cork International Film Festival. It’s a short fiction drama film about a humpback whale that appears in the middle of an Irish peat bog and the two women who discover it and attempt to unravel the mystery of how and why it got there.
20 NOV
Disponível para visualização durante 24horas • Available for 24 hours
 
Ano • Year : 2021
Duração • Runtime: 39′
País • Country: United Kingdom
 
Língua • Language: English
Legendas • Subtitles: —
O Prémio do Público será entregue à curta-metragem que reunir mais votos da audiência. Não poderá votar mais do que uma vez no mesmo filme • The Audience Award will be awarded to the short film that garners the most votes from the audience. You cannot vote more than once for the same film.
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